Google explorará sites vistos por usuário para oferecer propaganda compatível com seus interesses

Março 15, 2009 por sahgf

O Google anunciou em seu blog oficial nesta quarta-feira (11) que oferecerá anúncios baseados no comportamento dos internautas, num sistema que explora os sites visitados pelo usuário para, então, mostrar uma publicidade compatível a estes interesses.

O site de buscas, que dá ao serviço o nome de “publicidade baseada em interesses”, disse em seu blog que este sistema fará com que os anúncios sejam mais atraentes para a pessoa que navega pela rede. ”Achamos que podemos tornar a publicidade on-line mais importante e prática utilizando informação adicional sobre as páginas que as pessoas visitam”, afirmou Susan Wojcicki, vice-presidente de gestão de produtos do Google.

Este sistema já é experimentado por companhias que administram publicidade online, usando marcadores eletrônicos chamados “cookies”, que registram as páginas visitadas na rede e o que se vê nelas. 

A companhia afirmou que o sistema introduzido, primeiramente a partir de sites parceiros e do You Tube, respeitará a privacidade do usuário, permitindo a ele configurá-lo segundo suas preferências. Assim, o internauta poderá escolher categorias sobre as quais prefere não ver anúncios e evitar, por exemplo, receber continuamente publicidade sobre safaris na África só porque uma vez visitou um site de viagens de aventura.

“Tranparency, choice and control” é o que propõe o Google, acreditando na criação de um círculo virtuoso ao dar aos usuários anúncios mais relevantes, enquanto geram maiores retornos aos anunciantes. E rompendo, também, com a privacidade tanto contemplada na internet.

Privacidade?

O que você procura no Google, agora, deve estar codificado em estatísticas, esperando para serem cruzadas com os arquétipos pré-estabelecidos do que seriam assuntos de interesse “comuns”. Afinal, se eu entro no site da Porsche, meu interesse se resume à “carros” e, sendo um consumidor potencial, receberei propagandas de automóveis de luxo.

O poder de ignorar a publicidade

Março 15, 2009 por sahgf

Você quer assistir TV, mas tem que pagar o preço de assistir a um comercial. Você quer ler o jornal, mas tem um anúncio bem no meio daquela matéria. Você quer ouvir rádio, mas tem que ouvir o jingle da “Mark Color etiquetas adesivas” antes.

Faz um tempo que outra realidade tem sido feita atráves do simples botão do controle remoto e do teclado do computador. A compra de espaços públicitários pelos anunciantes não é mais óbvia. Para vender, os anunciantes não pagam sem pensar à Veja e à Globo uma boa fatia do seu budget. Nós – usuários, espectadores, internautas, consumidores – estamos a um passo de abolir os intervalos comerciais. Nós procuramos a liberdade de ver o que quisermos e ignoramos qualquer coisa que se opõe. E, este passo que pouco falta está sendo tomado por ninguém menos que os próprios anunciantes.

Utopia

Algumas marcas – de imagem forte e muita verba – estão trabalhando para anunciar  sem serem ignoradas, de uma forma que o espectador não perceba ali um intervalo comercial, mas sim um programa normal.

Alguns vitoriosos exemplares:

Talvez um dos casos mais emblemáticos deste movimento seja a iniciativa de Doritos Only The Good Stuff, um aplicativo que transforma todos os banners e propagandas que aparecem em sua navegação em conteúdos do seu interesse. Ao invés de ver o banner das Casas Bahia, você apenas verá um conteúdo do seu interesse contornado nas cores Doritos, baseado em suas informações disponíveis no Facebook, Flickr e outros sites que dão pistas sobre o que você gosta. Veja só o resumo da idéia em 150 segundos:

A Unilever divulgou a sua última “campanha” para o produto Vaseline, nos EUA: abolir os intervalos comerciais dos 13 episódeos da série “Friday Night Lights”. Isso mesmo, ao invés de vender o shampoo nos intervalos comerciais, a Unilever resolveu dar um presente um pouco mais relevante para as pessoas, retirando os “reclames” e inserindo o produto em meio ao enredo do seriado.

Na mesma linha, a operadora inglesa BskyB também resolveu transmitir alguns filmes sem propaganda e, para divulgar a iniciativa, usou como cenário a cidade de São Paulo no período pós Lei Cidade Limpa para passar a idéia de que “Porque você gosta de filmes sem interrupções, nós tiramos as propagandas.”

A operadora de telefonia celular Oi também deixou de comprar espaços publicitários em outras rádios para criar a sua própria, a OiFM. Uma rádio sem propaganda. Só com músicas.

Poder?

É bonito ver que a publicidade também possui, no fundo do coração, uma responsabilidade social que a faça puxar um pouco o saco daqueles que iam fazer um lanche enquanto o anunciante falava bem do seu produto antes da cena final da novela.

Com a crescente abolição do espaço publicitário por nosso pouco caso e a perda de dinheiro dos anunciantes, a propaganda está cada vez mais difícil de ser apontada. Camuflada, personificada e em forma de entretenimento, não nos dá chance de escolher. Como uma publicidade em forma de “novo episódio de Lost” não vai ser ignorada? Afinal, o poder que nos foi dado é patrocinado.